• Sebastian Bieberle

Washi - O papel japonês

Atualizado: 7 de jan.

A tradução literal da palavra Washi significa simplesmente papel japonês, Wa (和) significa "japonês" e Shi (紙) corresponde a "papel". Uma tradição 1400 anos, registrada como patrimônio imaterial pela UNESCO e que segue viva e pulsante até hoje.



O Washi é uma técnica manual de produção de papel, que usa compridas fibras de plantas como: Gampi, a Mitsumatam, Bambu, cânhamo e o arbusto kōzo. O papel resultante do processo é normalmente mais resistente do que aquele feito de polpa de celulose e é muito usado em diversas artes tradicionais japonesas como Origami, Shodo e o Ukiyo-e.



Eu diria inclusive que ele representa a espinha dorsal destas expressões artísticas. De fato o washi está tão entranhado na cultura japonesa que muitas cidades do país estão montadas ao redor de seus moinhos de papel.

Ele também é usado para divisórias de parede em casas tradicionais shoji e fusuma), kimonos, luminárias, vestes e objetos como guarda-chuva, além das diferentes tipos de impressões digitais como jornal e até papel moeda!





O Processo de Produção


Usando uma técnica similar àquela usada em outros tipo de papel artesanal, o Washi é feito á mão e envolve um longo e intrincado processo. Primeiramente, é essencial o uso de água corrente gelada e pura, uma vez que a água fria inibe o crescimento de bactérias que poderiam decompor as fibras. A baixa temperatura também faz as fibras se contraírem, dando um toque mais macio ao papel. Por este fator, durante séculos a produção de papel ocorria de forma sazonal, primordialmente no inverno usando a água de degelo que desce das montanhas.

A fibra mais comum é extraída dos galhos do kōzo, que depois de serem tratados com vapor e removidas da casca, são secos. As fibras são então fervidas em uma solução alcalina para remoção de amidos, gorduras e taninos e depositados em água corrente para remover outras impurezas. As fibras podem então ser tingidas ou branqueadas de forma natural ou química. Depois, a mistura de fibras é posicionada sobre uma rocha ou superfície de madeira e socada com grandes martelos de madeira.

Grandes bolas emaranhadas de fibras são então depositadas em grandes tanques de água com uma mistura de neri, uma substância viscosa retirada das raízes da planta tororo aoi. Em seguida podem ser empregadas duas técnicas: nagashi-zuki ou tame-zuki. O nagashi-zuki produz um papel mais fino enquanto o tame-zuki (que não usa o neri misturado à água) produz um papel com gramatura mais encorpada.


Ambas se utilizam de grandes telas feitas com varetas de bambu amarrado (tipo aquele usado em cortinas) que são movidas no sentido horizontal, fazendo a mistura escorrer por repetidas vezes. Isso permite que as fibras vegetais continuem compridas, entrelaçadas de forma estreita para formar um papel mais resistente. A fina camada é então transferida para um tecido e prensado para remoção de excesso de água. A secagem é feita ao sol e muitas vezes as telas são escovadas enquanto secam, para remoção de impurezas.


O vídeo abaixo é super satisfatório (especialmente para os amantes de ASMR) e permite ver todo o processo:



Washi e o Meio Ambiente


Desde a antiguidade, o Washi é feito de um material renovável, suas fibras vêm de plantas que crescem em abundância e chegam a maturidade em 1-2 anos. Quando comparado à produção com fibras de madeira, que levam 10+ anos. E adicionando a isso, o fato destas plantas requererem um volume consideravelmente menor de água e manejo, faz com que o washi tenha um impacto significantemente menor.

Ainda podemos considerar que o volume de químicos usados para branquear e tingir as fibras é infinitamente menor e de origem natural. Mesmo que hoje já se usem corantes químicos e processos de produção industriais, o tradicional papel japonês usa somente materiais naturais e é feito inteiramente à mão. Mantendo assim, a tradição e espírito de cuidado com a natureza tão enraizado na cultura japonesa.


Curtiu o conteúdo? Quer saber mais curiosidades sobre papel e seus processos de produção? Comente sobre que tipo de papel eu deveria contar a seguir!

Ahh, e dá aquela compartilhada esperta (:



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