• Sebastian Bieberle

A História do Papel


Hoje quero contar um pouco sobre a fascinante história do papel e como este material se tornou essencialmente indispensável para nós.

Eu tenho que admitir, sou louco por papel (óbvio, rsrs), adoro os cheiros dos diferentes tipos, o toque e as texturas, mas sobre tudo, a versatilidade deste material. Todas as minhas idéias e invenções nascem do papel, tenho tudo documentado em dezenas de cadernos. Uma folha de papel em branco é o meio perfeito para arrumar a bagunça de pensamentos na minha cabeça e fazer espaço para novos fluxos. É essencial para visualizar o abstrato e ao mesmo tempo abstrair.

E...livros, não vou nem começar a falar da importância deles em minha vida.

Tente visualizar a sua vida sem papel, impossível!

Já parou para observar a infinidade de coisas no nosso dia a dia feitos de papel?



Muitos atribuem a invenção do papel aos egípcios e seus papyrus, porém este material não é reconhecido como papel, mas sim um agregado de fibras trançadas a partir de plantas aquáticas da região. Outros materiais como peles de animais já eram usados há séculos para ilustrar e registrar desenhos e escritas primitivos, mas nenhum sendo tão difundido e usado como o papel criado na China. Nas Américas os Mayas já usavam um material similar ao papel, chamado Amate, por volta de século 5.


Os primeiros registros de fabricação de papel datam de 200-150 AC e são atribuídos a Cai Lun, ou Tshai Lun - um eunuco imperial da dinastia Han. A data exata não se pode afirmar com exatidão. O pedaço de papel mais antigo já descoberto na província de Gansu, em 2006, era provavelmente um mapa datado entre 179-141 AC. Antes da invenção do papel, registros eram documentos em ossos ou bambu, materiais pesados e difíceis de transportar. Mesmo que os indícios encontrados em 2006 indiquem o uso de papel pelos militares chineses, quase 100 anos antes de Cai Lun, imagina-se que ele seria o responsável pela sistematização e criação de uma espécie de "receita" para a fabricação de papel. Reza a lenda que ele se inspirou ao observar as vespas e o processo de mastigação de fibras de árvores que elas empregam para construir seus casulos. (Tem um texto aqui no blog sobre isso.)


Usando uma mistura de casca de árvore, fibras naturais, pedaços de tecido e redes de pesca amassados, triturados e fervidos em água para depois serem secados sobre uma tela, criou um material leve maleável que ele então apresentou ao emperador Yuan-Hsing, que curtiu a idéia! Afinal era um material leve, que podia ser enrolado, dobrado, cortado e exposto ou escondido em qualquer lugar.

A idéia então pegou, sendo fabricado predominantemente de cânhamo e sândalo. Com o advento e popularização de técnicas de impressão em blocos, durante a dinastia Song, a demanda por papel cresceu substancialmente, como consequência, a demanda de materiais não supria a produção, resultando na invenção de novos tipo de papel usando bambu. No ano de 1101, impressionante 1.5 milhões de folhas de papel foram enviadas a capital chinesa. Além de ser usado para escrita e envoltório de peças de bronze, um viajante árabe descreve o uso de papel higiênico em 851. Durante a dinastia Tang ele era usado para preservar os aromas e sabor de chás, assim como em guardanapos multicoloridos, e mais tarde, entre 960-1279 AC, já se têm registros do uso de papel moeda impresso. Em 740 AC o primeiro jornal impresso foi visto na China.

De acordo com o historiador Timothy Hugh Barrett, papel foi essencial para disseminação da escrita e leitura, desta forma transformando a habilidade dos humanos em reter e transmitir conhecimento para sempre.


Os chineses se esforçaram para manter esta tecnologia em segredo, sendo visto fora da China somente em 300 DC, na Coréia e Japão e depois na Índia e Tibet por volta de 645 DC. Os esforços para manter o segredo foram tantos que até tentaram eliminar outros centros de produção de papel pela Asia para criar um monopólio. Em 751 o exército chinês foi derrotado pelos turcos Otomanos na batalha de Talas e alguns artesãos de papel foram capturados e levados para Samarkand. Os árabes então aprenderam a arte dos seus prisioneiros e a primeira indústria de papel apareceu em Bagdad em 793, onde o processo foi aperfeiçoado. Os árabes também tentaram manter as técnicas em segredo, que só foi chegar na Europa séculos depois.



Graças às cruzadas os espanhóis aprenderam o processo por volta do ano de 1150, criando a primeira indústria européia, aperfeiçoando mais uma vez o processo empregando os moinhos para triturar as fibras mais rapidamente. O processo rapidamente se popularizou na França, Itália e Inglaterra e quando Gutenberg inventou a prensa em 1453 a produção teve um boom.


Um adendo que achei importante foi o fato de que só em 1844 a produção de papel começou a ser feita a partir de madeira e com adição de agentes branqueadores, tornando-o branco. Antes disso todo o papel era feito a partir de plantas fibrosas como algodão, arroz, bambu, cânhamo e plantas aquáticas e tinha coloração marrom/bege. Importante também, é o fato de que até o final do século 19 e início do século 20, toda a produção seguia sendo feita à mão (com ajuda de máquinas é claro), mas o último passo, o de puxar o papel com a tela seguia sendo feito por um artesão. Aqui na Schöpf nós nos apegamos a esse processo tradicional, cada folha que produzimos é feita à mão, uma a uma!


Com a invenção de máquinas a vapor e produção em massa da Revolução Industrial o uso a aplicação de papel mais uma vez disparou, tornando-se o que é hoje.


Um fato curioso é que a invenção do computador prometia acabar com os infinitos arquivos e pilhas de papel dos escritórios e empresas, tendo tudo em versão digital, mas logo depois veio a impressora e o uso de papel só cresceu exponencialmente.


Para ilustrar um pouco melhor o processo manual milenar que ainda hoje segue sendo uma arte:


Como proposto no começo do texto gostaria de te desafiar a passar um dia inteiro sem manipular algum produto feito a partir de papel, é impossível! Não é por acaso, para mim é o material perfeito, ele é maleável, liso, resistente...são tantos atributos, e ainda por cima é rapidamente biodegradado. Porém a indústria atualmente é grande agente poluidor e impactante, mas esse é o assunto deste post aqui >>>



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